Que não permaneça entre nós a memória da trágica morte de Dra. Zilda Arns, no terremoto no Haiti. Mas sim, a memória da sua vida.
O planeta perdeu a Dra. Zilda Arns.
São muitos os créditos no seu currículo, seus feitos, seus prêmios.
Pediatra e sanitarista por formação, humanitária por vocação, desenvolveu um trabalho de profundo impacto social na criação e coordenação da Pastoral da Criança. O projeto mais conhecido, pioneiro no mundo, diminuiu sensivelmente as taxas de mortalidade infantil no Brasil, nas regiões em que foi desenvolvido. Consistia em maximizar o aproveitamento de alimentos populares, acessíveis e de alto valor nutricional, valendo-se da diversidade e do baixíssimo custo de recursos encontrados em todos os cantos do país; e do trabalho dedicado de mais de 250 mil colaboradores voluntários.
Desde 1982, a Pastoral vem contando com o trabalho incansável destes voluntários e já prestou atendimento a quase 2 milhões de gestantes, de crianças menores de seis anos e 1,4 milhão de famílias carentes em mais de 4 mil municípios brasileiros.
Dra. Zilda Arns multiplicou suas idéias aplicando-as em outras regiões do mundo onde populações padeciam com a desnutrição e a miséria. No Haiti, na semana passada, ela continuava sua sagrada cruzada contra a fome no planeta, quando o terrível terremoto destruiu a capital, Porto Príncipe. Entre milhares de feridos e mortos, desaparecia nossa tenaz guerreira na luta contra a mortalidade infantil.
Estava em um país sofrido por tantas batalhas (guerra civil, violência urbana, miséria) para apresentar seus projetos otimistas, cheios de esperança e totalmente exequíveis.
Seu exemplo de voluntariado determinado, que mudou definitivamente e para melhor a vida de milhares de pessoas, será sempre lembrado por aqueles que não esperam por iniciativas paternalistas, mas arregaçam as mangas na busca das transformações. O trabalho como o de Dra. Zilda, transcende fronteiras geográficas e ideológicas, contagia, emociona e faz a diferença na vida das pessoas.
Que não permaneça entre nós a memória da trágica morte de Dra. Zilda Arns, no terremoto no Haiti. Mas sim, a memória da sua vida; rica em dedicação, amor ao próximo e coragempara as mudanças.