Com a palavra... Eleonora Pegorini, Presidente da Casa do Menino Jesus de Praga
Eleonora Pegorini, uma mulher que acredita.
Estou na CMJP desde 2002, porque acredito nas imensas possibilidades deste trabalho. Como voluntária, comecei a construir um vínculo forte, de profunda identificação com as crianças. Aprendi a vê-las como via meus próprios filhos. Desejava diminuir a sua solidão, interagir, oportunizar-lhes experiências novas. Sempre acreditei que a comunicação com elas transcendia suas delicadas limitações. Tive a oportunidade de conviver na Casa com Lorena Latuada, que me influenciou muito na maneira de ver as crianças. Passei a crer que, apesar de suas patologias sérias, muitas delas poderiam superar suas barreiras e aproveitar melhor o "banquete da vida”. Como coordenadora de voluntários promovi atividades em que elas tivessem mais companhia para conversar, passear ao sol, rir, trocar afeto. Comprometida imensamente com meus companheiros na preparação para a Certificação ISO 9001:2000, mergulhei no trabalho acreditando na nossa conquista e nas portas que elaabririapara as nossas crianças.Em 2008, ao aceitar o convite para presidir a entidade durante 2 anos, percebi que a jornada seria uma continuação do trabalho que eu já realizava. Mas, mesmo considerando que poderia contar com uma equipe fantástica, os compromissos seriam muito maiores. Iria abrir mão de muitas coisas da vida pessoal, dar prosseguimento a construção na nova Unidade, comprometer-me com a manutenção da certificação conquistada e, entre outros desafios, a séria responsabilidade de ter a tutela e a curatela de 42 crianças com necessidades especiais. Deveria, acima de tudo, continuar acreditando. O ano de 2009 teve surpresas; umas boas, outras, não. Enfrentei o óbito de crianças, momento doloroso e culminante de um processo que começa com o nosso empenho para manter sua vida com qualidade e dignidade. Acompanhei, comovida, o desespero de um médico obstinado em salvar a vida de uma delas e jamais esquecerei o que foi, perceber o limite dos dois – médico e criança - lutando pela vida. Tal experiência renova minha determinação em continuar acreditando que humanidade e profissionalismo podem andar juntos. Na administração gerenciei as duas auditorias internas pelas quais passamos, sem não conformidades. Inscritos no PGQP, Programa Gaúcho de Qualidade e Produtividade, recebemos pontuação que nos levou a ser visitados por examinadores do programa. Buscar a premiação deverá ser mais um grande desafio para a nossa entidade. Ver o início da construção da nova Casa, imaginá-la pronta permitiu vislumbrar a possibilidade de expandir as experiências das crianças abrigadas, ampliando os limites físicos e seu acesso a mais terapias, conforto e alegria de viver. Continuamos acreditando na construção do importante sonho da nova Casa. Para realizá-lo formaremos parcerias através de projetos junto a empresas e comunidade, utilizando os benefícios fiscais que propiciam a viabilização de recursos financeiros em órgãos como, por exemplo, o Conselho Municipal da Criança e do Adolescente (CMDCA), Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente (CEDCA RS) e a Lei da Solidariedade, apoiada no recolhimento do ICMS das empresas. Acredito na consistência do projeto “Adote uma vida”, um plano bem feito, completamente viável precisando de divulgação e do reconhecimento da comunidade empresarial. Alavancá-lo irá garantir a manutenção da Nova Unidade. Sonho com a casa nova cheia de crianças, com seu potencial sendo aproveitado. Acredito na inclusão de muitas delas e sinto muita alegria por mantermos 7 frequentando aulas (especiais ou não) fora da Casa. Apesar de suas limitações, são cidadãs e têm direito a lazer, saúde, educação, inclusão social, incentivos e alegrias.
Avaliando os acontecimentos do primeiro ano, constato que a CMJP está fazendo valer as suasboas práticas de gestão; vivemos de recursos da comunidade e trabalhamos com orçamento considerado alto, pois, para manter a qualidade no atendimento, as necessidades são grandes. Mesmo assim, o déficit pode ser considerado pequeno. Significa que temos o aval da comunidade, o que nos anima a continuar acreditando no nosso trabalho. Começamos nossa gestão, no início de 2009, sob a ameaça da crise financeira mundial. Quando muitas ONGs perderam suas fontes de recursos, vindo a fechar suas portas, a CMJP não sofreu um impacto tão significativo. Hoje, março de 2010, olho para trás e percebo o quanto a minha vida mudou desde que cheguei na CMJP, em 2002. Tenho com as crianças, o maior dos comprometimentos e percebo que, convivendo com elas, tornei-me uma pessoa mais complacente. Sei que ainda há muito mais desafios à frente; entre os quais aprimorar o gerenciamento de pessoas. Mas vou conseguir vencê-los, pois acredito que não estou só.
Durante o primeiro ano da minha gestão eu, Eleonora Pegorini, pude desenvolver meu trabalho como presidente da Casa do Menino Jesus de Praga porque acreditei na competência da equipe coesa que compõe a diretoria, no suporte dos demais voluntários e dos funcionários e na lealdade da comunidade. Sem esquecer que nunca deixei de acreditar na benção imprescindível do Menino Jesus de Praga.