O emocionante relato de um voluntário Por César Lunkes, voluntário da CMJP
A nossa vida é feita de passagens e o motivo pelo qual estou escrevendo é para compartilhar com a comunidade o que aprendi na minha passagem pela Casa do Menino Jesus de Praga.
Em virtude de uma condenação criminal, sob a acusação de negligência, fui sentenciado a prestar serviços à comunidade, as chamadas penas alternativas, aplicadas àqueles que não têm antecedentes criminais. Por já conhecer superficialmente o trabalho da CMJP, escolhi a entidade para ali cumprir a minha “pena”.
Em novembro de 2009 iniciei os trabalhos na CMJP, sendo que as minhas atividades seriam de digitador e motorista. Nos primeiros dias não tive muito contato com as crianças da casa, conhecia apenas algumas, as que mais circulavam, vamos assim dizer. No inicio do mês de dezembro fui convidado a participar do passeio de Natal das crianças ao Shopping Iguatemi para visitar o Papai Noel. Foi quando tive contato maior com elas; atentas a tudo e a todos que as rodeavam, traziam um brilho inigualável nos seus olhares. Foi quando eu percebi o quanto pequenas coisas podiam representar tanto para elas.
Em seguida recebi outro convite: representar o Papai Noel na festa de Natal da CMJP. Claro que senti um frio na barriga, mas aceitei. Foi no dia 17 de dezembro que a referida festa ocorreu, quando enfim conheci todas as crianças da Casa. Nesse dia segurei as lágrimas... A presença do bom velhinho gerou as mais diversas reações: alegria de muitos, espanto para alguns e um pouco de medo para outros. Mas todos, um a um, receberam seus presentes e me abraçaram, cada um da sua forma...
Durante a minha passagem pela casa, tive uma convivência muito intensa com uma das crianças, o Alissom Ivan, quando assumi o compromisso de levá-lo e acompanhá-lo em suas atividades. Ele, que apesar dos cuidados especiais de que depende diariamente, está sempre sorrindo, é alegre e também muito carinhoso, seja com gestos ou com as palavras, causando impacto e admiração por onde passa. Com ele vivi momentos marcantes - e não foram poucos - que jamais serão esquecidos.
Outro fato marcante ocorreu num dia desses em que fui buscar o Alissom no andar superior da casa. Quando me deslocava em direção a ela, vi que uma outra criança me observava atentamente. Então, a cumprimentei dizendo:
- Tudo bem Denner! E segui caminhando. Na seqüência, o vi se contorcendo todo e respondendo:
- “Tuuudo”.
E sorriu para mim.
Fiquei pasmo, estático por alguns segundos, respirei fundo e prossegui... Aquela cena ficou se repetindo várias vezes na minha cabeça durante o dia, foi mais uma lição...
Também não poderia deixar de falar nos profissionais e voluntários que conheci, que exercem suas atividades na casa, os quais despendem muita atenção e carinho para com todas as crianças. Pude constatar o quanto, emocionalmente e profissionalmente, estes profissionais se envolvem com estas crianças, mesmo que a técnica diga o contrário.
Enfim, posso afirmar que durante esse período em que cumpri minha “pena”, na verdade tive um aprendizado que não é ensinado nas salas de aula. Foram muitas lições de vida. Finalizo, agradecendo a todos, e em especial às crianças, por esta oportunidade que me foi dada.